AGU confirma legalidade de nota do Enem como requisito para o Ciência sem Fronteiras

25-04-2014

Para entrar no programa, candidatos devem ter pontuação igual ou superior a 600 pontos em exames realizados a partir de 2009

 

A Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu mais duas vitórias sobre legalidade de exigência de nota mínima no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para candidatos obterem vagas no Programa Ciência Sem Fronteiras. Os procuradores federais confirmaram que é necessário pontuação igual ou superior a 600 pontos, em exames realizados a partir de 2009, para os candidatos do Programa.

Os candidatos pretendiam afastar o critério eliminatório da nota do Enem para que pudessem concorrer a uma das bolsas de estudo de graduação sanduíche da edição de 2013. Alegavam que foram surpreendidos com tal exigência, e que o critério era usado anteriormente apenas para desempate.

Atuando no caso, as procuradorias da AGU informaram que a adoção da nota mínima do Enem como critério eliminatório visa priorizar o merecimento, a participação e a performance do estudante no Exame, que não é apenas um indicador de qualidade para o ensino médio, mas também um instrumento de política pública destinado a permitir uma maior democratização no acesso ao ensino superior.

Além disso, destacaram que a exigência também é necessária para concessão de financiamentos públicos na área de educação, como o Financiamento Estudantil (FIES), o Programa Universidade para Todos (ProUni), dentre outros, conforme estabelecido na Portaria do Ministério da Educação nº 807/2010.

Os procuradores federais explicaram que o Ciência sem Fronteiras é um programa que também confere benefícios oferecidos pelo Governo Federal aos estudantes de cursos de graduação. Por esse motivo, estabelece os critérios e os requisitos que entender necessários para obtenção da bolsa de estudo no exterior, não havendo qualquer vedação legal à adoção das notas do Enem como critério eliminatório dos candidatos ao programa.

Afirmaram, ainda, que os candidatos deixaram, espontaneamente, de participar das edições do Enem mesmo já cientes de que a nota da prova, obtida no ano de 2009 e seguintes, passou a ser um critério objetivo nas chamadas públicas desde 2012, não sendo possível conferir tratamento privilegiado nos certames, uma vez que já poderiam ter prestado o exame.

A 9ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal confirmou os argumentos da AGU e rejeitou os pedidos dos impetrantes, seguindo entendimento de que “os critérios de participação e seleção em programa de bolsas de estudo do governo federal são objetivos e estabelecidos em razão de critérios discricionários para cada uma das chamadas públicas”.

Ciência sem Fronteiras

Ciência sem Fronteiras é um programa que busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. A iniciativa é fruto de esforço conjunto dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), por meio de suas respectivas instituições de fomento – CNPq e Capes.

O projeto prevê a utilização de até 101 mil bolsas em quatro anos para promover intercâmbio, de forma que alunos de graduação e pós-graduação façam estágio no exterior com a finalidade de manter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação.

Além disso, busca atrair pesquisadores do exterior que queiram se fixar no Brasil ou estabelecer parcerias com os pesquisadores brasileiros nas áreas prioritárias definidas no programa, bem como criar oportunidade para que pesquisadores de empresas recebam treinamento especializado no exterior.

 

Fonte: Portal Brasil

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