Brasil apresenta contribuições em fórum científico

22-11-2013

Desigualdade, exploração de recursos naturais e saúde na terceira idade estão entre os temas do Fórum Mundial da Ciência

 

A Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) apresentaram nesta quinta-feira (21), no Seminário Brasil – Ciência, Desenvolvimento e Sustentabilidade, no Rio de Janeiro, o documento Ciência para o Desenvolvimento Sustentável Global: Contribuição do Brasil e a Declaração da América Latina e Caribe para o Fórum Mundial da Ciência (FMC).

 

Os dois documentos contribuem para os debates da sexta edição do FMC, de domingo (24) a quarta-feira (27), também na capital fluminense. A publicação brasileira sintetiza as discussões realizadas em encontros preparatórios em sete metrópoles nacionais, de agosto de 2012 a agosto de 2013. Já a declaração regional se baseia em textos diplomáticos elaborados a partir de encontros promovidos por Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Conselho Internacional para a Ciência (Icsu, na sigla em inglês), Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

 

“A nossa preocupação sempre foi a de demonstrar a capacidade do que estamos fazendo hoje na ciência não só no Brasil, mas nos países latino-americanos e caribenhos, e a importância cada vez maior da cooperação entre esses países, do intercâmbio entre as nossas universidades e os laboratórios supranacionais que estamos construindo”, disse o secretário executivo do MCTI, Luiz Antonio Elias, durante diálogo com jornalistas e convidados.

 

Abordagem

 

Elias recordou que o processo de preparação do documento nacional teve como fator motivador o papel do saber em questões típicas de países em desenvolvimento: “Olhamos a ciência como elemento central não só para a educação, mas para o acesso ao conhecimento e a redução das nossas assimetrias, como uma ponte para agregar valor aos produtos da nossa pauta de exportações, para rompermos restrições históricas ao desenvolvimento”.

 

De acordo com o presidente da ABC, Jacob Palis, boa parte dos temas a serem tratados no FMC tem a “cara” do Brasil. “A primeira sessão vai ser sobre desigualdade como barreira para o desenvolvimento global sustentável”, adiantou o acadêmico, que ainda citou tópicos de relevância nacional como a exploração de recursos naturais – com ênfase particular para a Amazônia –, a inovação e a formação de engenheiros, além da saúde na terceira idade.

 

Palis informou que a sede do FMC 2017 deve ser definida e anunciada no próximo domingo (24), durante a abertura do evento mundial, no Theatro Nacional do Rio de Janeiro. A próxima edição, em 2015, ocorre na Hungria.
Representantes dos setes Encontros Preparatórios ao FMC apresentam nesta sexta-feira (21), às 9h, ainda no Seminário Brasil, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), uma síntese das discussões realizadas em São Paulo, Belo Horizonte, Manaus, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília.

 

Documentos

 

Ao destacar pontos da Declaração da América Latina e Caribe, o membro da ABC Luiz Davidovich atribuiu a existência do texto ao aumento da sensibilidade dos países da região a ciência, tecnologia e inovação. “Temos a maior concentração de água doce do planeta, uma grande biodiversidade e um sumidouro de gás carbônico”, afirmou. “Paralelamente, temos desafios como megalópoles, alta vulnerabilidade a catástrofes naturais, desigualdade regional, baixo nível tecnológico, educação ainda deficiente e poucos pesquisadores.”

 

Davidovich também comentou que a declaração propõe projetos regionais de desenvolvimento para enfrentar desafios comuns, como a harmonização de marcos legais, a redução de assimetrias e a criação de laboratórios multiusuário. “A ideia é fomentar o uso racional de riquezas naturais, com o aproveitamento sustentável da biodiversidade, e a exploração dos recursos marinhos, tendo em vista a vasta faixa litorânea comum”, antecipou. “Desenvolver a Amazônia e manter a floresta em pé é uma linda proposta.”

 

Segundo Davidovich, a declaração enfatiza a necessidade de fortalecer o ensino da ciência em todos os níveis, promover a igualdade de gênero em ciência e tecnologia, fortalecer parques tecnológicos e incubadoras e incentivar a pesquisa em mudanças climáticas e desastres naturais, entre outros pontos. O documento latino-americano também foi comentado pelo diretor do Escritório Regional de Ciência e Tecnologia da Unesco, Jorge Grandi.

 

A presidenta da SBPC, Helena Nader, lembrou que os sete encontros discutiram a ética e a integridade como pressupostos fundamentais à ciência, além da importância da colaboração regional.

 

Cooperação Regional

 

Uma ação articulada com foco em ciência, tecnologia e inovação (CT&I) é vista como uma possível solução para os problemas que enfrentam os países latino-americanos e caribenhos. A ampliação e o fortalecimento da cooperação regional é o primeiro item da Declaração da América Latina e do Caribe para ser entregue aos participantes FMC.

 

Na opinião do diretor do Escritório Regional de Ciência e Tecnologia da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Jorge Grandi, é preciso criar um instrumento financeiro que permita a pesquisadores e laboratórios trabalhar juntos. “Muitas vezes, para solucionarmos problemas cientificamente, precisamos da interação entre diferentes laboratórios. E é aí que está o problema. Não temos um instrumento que permita a associação de atores diferentes”, avaliou Grandi, na apresentação do documento, nesta quinta-feira (21).

 

Ele acredita que o FMC é um excelente ambiente para dar início à discussão sobre criar um mecanismo financeiro para a CT&I da região. Membros de academias de ciências de 65 países se reunirão no Brasil para discutir o papel da ciência para o desenvolvimento global e sustentável.

 

“Tem que haver uma vontade política muito grande. É óbvio que os países grandes da região, México, Argentina, Brasil e Colômbia, podem liderar as discussões de elaboração de um instrumento como esse”, afirmou o diretor da Unesco.

 

Experiências bem-sucedidas

 

Durante a apresentação do documento, no Seminário Brasil – Ciência, Desenvolvimento e Sustentabilidade, também foi citada a ampliação de experiências regionais exitosas, como os laboratórios multiusuários. “Essa é uma experiência que já dominamos, mas precisamos ampliá-la”, afirmou a presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader.

 

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) mantém laboratórios abertos à comunidade científica internacional. Entre eles, os laboratórios nacionais de Luz Síncrontron (LNLS), de Nanotecnologia (LNNano) e de Biotecnologia (LNBio), por meio do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

 

“Teremos ainda o Reator Multipropósito Brasileiro, que fornecerá o molibidênio-99, produto usado na medicina nuclear”, afirmou o secretário executivo do MCTI, Luiz Antonio Elias, durante um almoço com os jornalistas. “Atuar em conjunto com pesquisadores de outros países é muito importante.”

 

O documento também prevê ações para a conservação e o uso racional dos recursos naturais, educação e cultura em CT&I, ética e acesso ao conhecimento, entre outros temas. A declaração sintetiza e avança sobre desafios enfrentados pela região.

 

Fonte: Portal Brasil

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